Manhã de maio, dia nublado cinzento daqueles que o frio te acossa até em casa. Pensamentos soltos me povoam a cabeça e o coração enquanto sento no sofá sem conforto. Visto meu short, calço meu velho tênis e vagueio pelos cantos vazios de minha casa, talvez à espera de um passado que sei que nunca mais virá. Minhas juntas remoídas doem, reclamam do desgaste de meu corpo que padece ao olhar dos anos. Recuso-me ao óbvio e persisto por meu direito.
Preparo meu café remoendo memórias do passado, pensando no caminho que percorri até aqui. Cultivei amizades, perdi companheiros, experimentei instantes e amantes inesquecíveis, fui protagonista no jogo da vida. Hoje, tenho a certeza que renasço a cada manhã e que insisto em levantar da cama contrariando o acaso.
Preparo meu café remoendo memórias do passado, pensando no caminho que percorri até aqui. Cultivei amizades, perdi companheiros, experimentei instantes e amantes inesquecíveis, fui protagonista no jogo da vida. Hoje, tenho a certeza que renasço a cada manhã e que insisto em levantar da cama contrariando o acaso.
Houve um tempo de injúrias e lamentações que não me permito mais, me habituei com as peças pregadas pela destino. Já não me faço de vítima tão pouco me apequeno diante desse sentimento de impotência compelido, desse gosto de amargura que me assola. Darei resposta aos malditos de ocasião e aos que insistem em triunfar. Brindarei à vida e a tudo que me foi distinto e precioso, simplesmente vivendo. Correr é tudo o que me resta e tudo o que me basta, continuarei sempre na estrada e por ela morrerei.
Deixei ainda pelo caminho o homem ingrato de ontem, aqui, vivo cada passo com a precisão de um antigo relógio e nele pauto meus momentos. Desejo agora apenas um fim mais brando, mais lento, de quem quis engolir o mundo e por ele foi engolido.

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